10 perguntas frequentes sobre o ensino do inglês como língua estrangeira

Posted in TEFL with tags , , , on September 8, 2009 by rightinenglish

Jason Renshaw, um professor de inglês experiente que vive e trabalha na Coreia, elaborou 10 perguntas sobre o ensino de inglês como língua estrangeira. São perguntas cujas respostas – nada simples – têm sido frequentemente discutidas de modo superficial. Ou propositalmente com o intuito de perpetuar ideias erradas.

Mesmo que não se concorde com tudo o que ele coloca, deve-se admitir que ele levanta questões fundamentais que nos fazem pensar sobre o ensino do inglês no mundo.

Achei que há muitas verdades no que ele escreveu e, por isso, pedi permissão a ele para traduzir o artigo (o que ele gentilmente me deu) e o incluí abaixo. Se você puder, dê também uma olhada nas discussões que seguiram o post original aqui.

Fique à vontade para dar sua opinião.

Respostas simples a 10 perguntas frequentes sobre o ensino do inglês como língua estrangeira (TEFL)

Às vezes, a verdade dói. Mas, às vezes, confrontar a verdade nos ajuda a aceitar e entender certas coisas com mais clareza. A partir daí, depende basicamente de você…

Aqui está minha opinião sobre 10 perguntas frequentes que são feitas dentro do mundo TEFL (ensino do inglês como língua estrangeira) e sobre esta indústria. Longe de me deixar desmotivado com uma sensação de “Por que me aborrecer? Qual a utilidade?”, minha aceitação de algumas destas verdades é, na realidade, uma força que me impele na minha motivação pessoal de me levantar, mudar e (pelo menos isso) aprender a viver de maneira harmoniosa com algumas delas.

Q1. Por que tantas pessoas no mundo estão aprendendo inglês?

Resposta errada:
Porque eles querem tornar-se cidadãos globais e comunicar-se/estar em contato com outras pessoas ao redor do mundo.

Resposta certa:
Porque eles precisam. É algo obrigatório em seu currículo ou necessário para avançar na carreira.

Q2. Por que motivação é um assunto tão importante nas aulas de aprendizado de inglês?

Resposta errada:
Porque inglês é difícil e leva-se muito tempo para aprender.

Resposta certa:
Porque a maioria dos alunos na verdade não quer aprender inglês. Eles não aprenderiam se, realisticamente, tivessem escolha.

Q3. Por que boa parte do ensino da língua inglesa acontece em salas pequenas, sem nenhum tipo de decoração e com poucas janelas (quando há janelas)?

Resposta errada:
Isso ajuda os alunos a se concentrarem mais na língua e no aprendizado.

Resposta certa:
Em certas situações, isto é tudo o que se consegue arrumar de maneira eficiente. Em outras é o que se consegue arrumar numa estratégia empresarial cujo objetivo é o máximo lucro.

Q4. Por que os livros são importantes em cursos de inglês?

Resposta errada:
Eles são a maneira mais eficiente de orientar e facilitar o desenvolvimento da linguagem.

Resposta certa:
(1) A maioria dos diretores de escolas não tem a mínima idéia de como ensinar inglês de maneira eficiente; (2) a maioria dessas escolas contrata professores sem experiência ou professores muito pouco qualificados que não têm a mínima idéia de como ensinar inglês de modo eficiente; e (3) escolas querem ganhar dinheiro e livros em papel lustroso, preparados de antemão, lhes dão uma aparência muito mais profissional e eficiente do que elas realmente são.

Q5. Por que os testes têm tanta importância no estudo do inglês como língua estrangeira?

Resposta errada:
Eles auxiliam os alunos a medirem seu próprio crescimento na língua e a estabelecer seus próprios objetivos no aprendizado.

Resposta certa:

Inglês é, em primeiro lugar, uma qualificação (para a grande maioria dos alunos) e, por causa da enormidade no número de alunos, torna-se necessária uma maneira simples de se medir quem é melhor do que quem (portanto o mais “qualificado”).

Q6. Por que a maioria dos testes de inglês concentra-se exclusivamente em leitura, compreensão auditiva e gramática?

Resposta errada:
Porque é impossível testar as habilidades de expressão oral e escrita de maneira eficaz.

Resposta certa:
Há gente demais para ser testada e essas habilidades passivas são as mais fáceis de medir em um número gigantesco de inscritos, de modo rápido, confiável e lucrativo.

Q7. Por que tantas organizações “não-lucrativas”, que realizam testes, cobram tão caro por eles?

Resposta errada:
Por causa dos incríveis custos relacionados à realização e distribuição dos testes.

Resposta certa:
Porque “organizações não-lucrativas que realizam testes” é um nome totalmente inapropriado para tais instituições.

Q8. Por que é tão caro aprender inglês?

Resposta errada:
Porque o aprendizado exige muitos recursos e professores altamente treinados.

Resposta certa:
O ensino da língua inglesa é um super negócio. E negócios têm a ver com oferta, demanda e com ganhar muito dinheiro.

Q9. Por que muitos professores não se empenham mais para desenvolver seu conhecimento e profissionalismo?

Resposta errada:
Eles estão sempre ocupados demais e não têm consciência das oportunidades que lhes estão disponíveis.

Resposta certa:
Eles não querem ou não ligam pra isso.

Q10. Por que as maiores editoras não procuram desenvolver materiais de ensino que sejam melhores e mais variados?

Resposta errada:
Porque eles têm despesas muito altas e só têm condições de atender às necessidades do mercado imediato.

Resposta certa:
(1) O departamento organizacional de tais editoras as hipnotizou, convencendo-as de que elas estão produzindo materiais melhores e mais variados; e (2) porque materiais melhores e mais variados são infinitamente menos lucrativos; e/ou (3) eles não precisam fazer isso.

Pergunta bônus: Há alguma esperança para o ensino do inglês como língua estrangeira? Ele está destinado a ficar girando em espiral dentro de uma garrafa cheia de rótulos de sucesso? Se há esperança, de onde ela vem?

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Como traduzir um texto acadêmico do inglês – dicionários online

Posted in translation with tags , , , , , , , on September 6, 2009 by rightinenglish

Tradução é uma profissão séria que exige muito estudo e dedicação, não é coisa de amadores. Isto é o que você vai ouvir de qualquer profissional que se dedique a esta tarefa. E é verdade.

Mas isto não quer dizer que outras pessoas não possam, por necessidade mesmo, se aventurar a traduzir. E que não possam fazê-lo bem feito. Na verdade, se você se decidir fazer uma pós-graduação por exemplo, muito provavelmente vai se deparar com a tarefa cotidiana de traduzir textos do inglês, leituras que farão parte da bibliografia do curso. De igual modo, programas de mestrado e doutorado avaliam seu nível de inglês através de um exame que é a tradução de um texto acadêmico do inglês para o português.

A maior dificuldade em tradução é que, para fazê-lo, é preciso ter um excelente conhecimento da língua inglesa, o que só se obtém depois de muitos anos de estudo. Para traduzir, o aluno não precisa escrever em inglês ou compreender o inglês falado, mas precisa conhecer muito bem a estrutura da língua para poder ler e entender o que lê.

Para quem precisa aprender a traduzir, a melhor opção – a única, na verdade – é estudar a língua e resolver quaisquer pendências de gramática, ao mesmo tempo adquirindo um vocabulário que lhe permitirá entender um texto bem escrito em inglês. Paralelamente a isto, o aluno precisa começar a traduzir para ganhar prática.

Um professor de inglês que tenha experiência na leitura e tradução de textos acadêmicos pode ser de grande ajuda porque ele pode selecionar textos em níveis crescentes de dificuldade. De fato, é muito frustrante tentar traduzir um texto cujo vocabulário é difícil demais para o tradutor aprendiz. O professor também deve ir passando para o aluno o vocabulário a ser trabalhado – começando com aquelas palavras que precisam ser decoradas imediatamente.

Outro aspecto importante é saber escolher os melhores dicionários – que variam de acordo com a área de estudo – e aprender a usá-los corretamente.

Este post é o primeiro de uma série que vai reunir dicas e sugestões para ajudar você a enfrentar esse desafio. Claro, adoraria ouvir sobre suas experiências, por isso fique à vontade para enviar suas sugestões, perguntas e dicas sobre suas experiências na tradução de textos acadêmicos.

Começo essa série sugerindo alguns links de dicionários bilíngues online, que podem ser muito úteis. Embora não seja possível usá-los no momento da prova, estes dicionários te ajudam a ganhar tempo quando você estiver praticando as traduções. Devem ser usados com muito cuidado, no entanto. Todo tradutor sabe que o que está no dicionário é apenas uma sugestão e jamais deve ser tomado como a tradução correta e inquestionável da palavra que se busca.

Então anote estes links e depois me diga se, de fato, foram úteis. E sinta-se à vontade para sugerir outros que eu não incluí aqui.

Começo com o link para o dicionário inglês -> português e português -> inglês da Michaelis na página da Uol: http://michaelis.uol.com.br/moderno/ingles/

E o dicionário inglês-português da Babylon, também pela Uol: http://www1.uol.com.br/babylon/

Não tenho certeza, mas acho que este é o mesmo dicionário Michaelis, mas disponibilizado pela Babylon: http://dictionary.babylon.com/portuguese

Este outro dicionário também é nas duas direções. Não tem um grande número de palavras, mas pode ser uma boa segunda opção: http://www.freedict.com/onldict/por.html

Este é um tradutor da Babylon que eu sugiro que você tente usar pra te ajudar nas traduções dos textos: http://translation.babylon.com/English/to-Portuguese/

Minha sugestão é que você nunca use esse tipo de recurso pra traduzir frases inteiras. Use apenas para expressões idiomáticas ou palavras isoladas. Estes tradutores não são confiáveis pra traduzir sentenças inteiras. Embora algumas vezes eles consigam passar uma idéia geral do que o autor está dizendo, se você não domina o inglês, eles podem te induzir ao erro. Tente, por exemplo, colocar “on the other hand” nos dicionários sugeridos. Nenhum deles vai te retornar coisa nenhuma. Se você colocar essa mesma expressão neste tradutor, vai conseguir um resultado satisfatório.

Outro dicionário que você deveria ter sempre à mão é: http://dictionary.reference.com/ Este é monolíngue (inglês-inglês). Talvez você se pergunte qual a utilidade de um dicionário assim pra quem quer a tradução para o português. A verdade é que ele pode ser muito útil já que o vocabulário usado para definir as palavras em inglês é geralmente facilitado e bem mais fácil de entender. Além disso, ele é muito mais abrangente que qualquer dicionário bilíngue e você pode encontrar palavras que não encontra nos bilíngues.

Espero que estas sugestões tenham lhe ajudado. Até a próxima.

“How I write” – notes on Marjorie Perloff’s talk

Posted in Uncategorized with tags , , on August 31, 2009 by rightinenglish

Marjorie Perloff‘s talk at the Stanford’s series “How I write,” sharing some really useful ideas. The talk can be downloaded from Stanford on iTunes U (you’ll need iTunes for that). Some of her ideas:

  • Before the first draft, I’ll do anything to procrastinate.
  • I take a lot of notes. I still copy a lot of things and I do it before I start writing.
  • When i start writing, I am usually taken to a different place than what I planned.
  • Writing is a habit. If you get out of habit, it’s hard to come back. You have to write all the time.
  • Write (book) reviews, they are good practice.
  • It’s much more difficult to write something short.
  • Reviews (with a fixed number of words) are a great exercise.
  • I have friends who have great ideas, but they procrastinate and never write them down.
  • After a first draft things get easier.
  • I like collages, non-sequitur. So i turned my weakness into my strength.
  • You may write in order to learn.
  • In all writing, you have to try and be brave.
  • Be ready to take criticism.
  • When you start, you rely a lot on other’s criticism, “as Foucault says…” I don’t do that much anymore. When you get older you start feeling sure about things.
  • Things are so trendy that you may find the same 10 books all around. So you have to try getting away from that.

Minha guerra pessoal contra os lugares-comuns

Posted in Uncategorized with tags , , on August 30, 2009 by rightinenglish

Às vezes tenho a impressão de que, ao abrir os jornais ou ler artigos pela internet, as pessoas escrevem todas do mesmo jeito.

E isso não ocorre só nos textos dos outros. Analisando o que eu escrevo, percebo que viciei em certas expressões e encho meu texto de lugares-comuns. E não importa o quão diferentes sejam os objetivos e os formatos do que eu tenha que discutir: as mesmas expressões estão sempre de volta.

E quando tento resolver isso, acabo descobrindo que é muito difícil substituir esse vocabulário viciado por palavras novas.

Mas acho que encontrei um jeito de superar isso. Uma maneira de sair desse círculo vicioso é fazer o que eu chamo de um dicionário de expressões originais, ao qual eu recorro de vez em quando. Escolho, dentre os textos de autores que acho particularmente criativos no uso da língua, aqueles que fazem uso de um vocabulário diferente do que estou acostumada. Então procuro lê-los prestando atenção no vocabulário, nas expressões idiomáticas e frases. Anoto o que vejo de diferente e tento aplicar no que estou trabalhando no momento.

Neste tipo de leitura eu propositalmente ignoro o assunto. Acaba sendo um jeito curioso de ler. A ideia é “garimpar” o texto, tentando colecionar palavras e expressões com as quais não estou acostumada. Quando faço este exercício, me pego consultando o dicionário com frequência porque sempre vejo palavras cujo significado não conhecia direito.

A vantagem desse método é que, diferentemente do simples uso do dicionário ou do thesaurus, tenho a chance de ver a palavra usada em contexto. Aprendo a analisar o uso da expressão ou palavra, levando também em consideração o registro adotado pelo autor.